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Radar Semanal

Radar Semanal - Semana 43 de 2026

Google Ads abre prioridade por canal, ChatGPT perde a UTM e joga visita em Direct, lojas Shopify falham com agentes e a Black Friday projeta R$ 13,3 bi.

William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

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19 de outubro de 2026-10 min de leitura

Nesta semana, três plataformas mudaram o padrão da sua conta sem pedir licença. O Google Ads vai lançar a prioridade por canal com todos os canais marcados como alta prioridade. O ChatGPT tirou a UTM dos links das respostas, e o tráfego que vinha dele foi parar em Direct no GA4. A Shopify deixou lojas prontas para agentes de compra, só que sem as regras que o agente precisa para fechar a venda. O sinal da semana é simples: quem não revisa o padrão aceita a decisão de outra empresa. E faltam cinco semanas para a Black Friday.

Plataformas

O Google Ads vai deixar você decidir qual canal recebe verba primeiro

O Google anunciou em 14 de outubro de 2026 os controles de prioridade por canal e alocação de orçamento, com detalhes de configuração publicados no mesmo dia pelo Search Engine Journal.

O que muda: o anunciante marca cada canal como alta ou baixa prioridade. Os de alta são financiados primeiro, dentro da meta de CPA ou ROAS, e só a sobra vai para os de baixa. Para os de baixa, dá para fixar um teto em percentual do orçamento diário, inclusive 0%. Vale para Search, Shopping, Performance Max e Demand Gen, com lançamento global nos próximos meses.

O que isso muda para o seu e-commerce: a ressalva primeiro. O teto é de melhor esforço, não limite rígido. No Performance Max, Search, YouTube, Gmail, Discover e Maps continuam em um bloco único, então a caixa-preta só fica um pouco menor. O ganho real está em Search Partners e Display, onde a verba some com conversão ruim. E tem uma armadilha: todo canal nasce como alta prioridade, e em fevereiro de 2027 a configuração atual de Display em campanhas de Search será removida.

Como adaptar agora:

  • No Google Ads, abra Campanhas, segmente por Rede (com parceiros de pesquisa) e anote, dos últimos 90 dias, custo e conversões de Search Partners e Display. Se o custo por conversão for mais de 50% acima do Google Search, esse canal vai para baixa prioridade com teto de 10% a 20% assim que o controle aparecer.
  • Em campanhas de Search com Display ligado, anote hoje a configuração. Quando a migração de um clique surgir, o Google recomenda baixa prioridade com 50% para manter o comportamento atual.

O que ignorar do hype: a ideia de que agora você controla o Performance Max por canal. Os canais próprios do Google seguem agrupados. Leia o Performance Max sem ser caixa-preta antes de mudar a estrutura.

A Meta passou a vender janela de alcance com preço fechado

A Meta lançou em 15 de outubro de 2026 o Ads Super Burst, segundo o AdExchanger. O produto está disponível de forma geral no Facebook e no Instagram.

O que muda: você reserva uma janela de 3 a 24 horas em um único dia, com preço e alcance combinados antes. A Meta promete entregar o alcance previsto com margem de 5% e trava a frequência em 1. O CPM varia conforme a data. Nos Estados Unidos, também dá para comprar exclusividade de categoria em datas-chave.

O que isso muda para o seu e-commerce: é compra de alcance, não de conversão. Para uma loja de R$ 200 mil por mês, a janela de 24 horas na Black Friday disputa verba com a campanha de vendas que já entrega compra mensurável. Os números de eficácia vêm de pesquisa interna da Meta, sem verificação independente. A exclusividade de categoria só foi citada para os Estados Unidos.

Como adaptar agora:

  • Antes de reservar, abra o relatório da Black Friday de 2025 no Gerenciador e veja o CPM do dia de pico contra a média de outubro. Se subiu mais de 40%, o preço fechado pode ser proteção. Se ficou abaixo disso, o leilão continua mais barato.
  • Se testar, reserve para o dia de abertura da sua campanha, com criativo de oferta e verba de no máximo 10% do orçamento do evento.

O que ignorar do hype: a comparação com TV. Frequência 1 em 24 horas é alcance largo, e venda de e-commerce pede repetição para quem já visitou a loja.

IA e ferramentas

O tráfego do ChatGPT não caiu, ele perdeu a etiqueta

O Search Engine Journal mostrou em 15 de outubro de 2026 que a queda do tráfego atribuído ao ChatGPT é problema de rastreamento. A reportagem reúne medições de cinco fontes, entre elas a Adobe.

O que muda: a partir de 8 de outubro, com o GPT-6 no plano gratuito, os links no texto das respostas perderam o parâmetro utm_source=chatgpt.com. Os links passaram a abrir sem referrer, e a visita caiu em Direct no GA4. A Adobe mediu, em cerca de 500 páginas, menos 31 mil visitas por dia do ChatGPT e mais 26 mil em Direct. A OpenAI confirmou o erro em 14 de outubro e começou a corrigir no dia 15.

O que isso muda para o seu e-commerce: se o seu relatório de outubro mostra o ChatGPT caindo pela metade, o canal não morreu. A ressalva: ninguém consegue separar com precisão o que foi perdido do que só mudou de gaveta. As empresas que publicaram os números vendem serviço de busca por IA. Decisão de corte tomada com esses dias no período é decisão em dado quebrado.

Como adaptar agora:

  • No GA4, crie uma anotação em 8 de outubro e outra em 15 de outubro com o texto "ChatGPT sem UTM".
  • Em Relatórios, Aquisição, Aquisição de tráfego, compare Direct e chatgpt.com por página de destino nas duas semanas anteriores e na janela de 8 a 15 de outubro. Se o Direct da página inicial subiu na mesma proporção em que o ChatGPT caiu, trate a queda como reclassificação.
  • Se você roda anúncio no ChatGPT nos Estados Unidos, as UTMs que você mesmo definiu não foram afetadas.

O que ignorar do hype: as manchetes de que o ChatGPT parou de mandar visita. O problema é de modelo de atribuição e de etiqueta, não de demanda.

Lojas Shopify estão prontas para agentes, menos na parte que fecha a venda

O Search Engine Journal publicou em 14 de outubro de 2026 um teste com 122 lojas Shopify para medir o que significa estar pronta para agentes de compra por padrão.

O que muda: a plataforma instalou as ferramentas, não o lojista. Das 89 lojas com agents.md, 83 usam cópia quase idêntica do modelo da Shopify. O checkout funcionou em 74 de 74. Nenhuma das 122 passou nas nove verificações de decisão de compra. O custo de frete teve resposta útil em 0 de 88, e o prazo de cancelamento em 2 de 88.

O que isso muda para o seu e-commerce: o agente consegue montar o carrinho, mas não sabe quanto custa o frete nem como desfazer o pedido. Sem isso, ele recomenda a loja que responde. O teste foi feito com lojas grandes dos Estados Unidos e frete para um endereço só. Para a loja brasileira, o recado vale para quem está na Shopify ou em qualquer plataforma com conector de IA: política de devolução em texto solto não é lida por máquina.

Como adaptar agora:

  • Abra o endereço da sua loja seguido de /robots.txt. Se aparecer "Disallow: /policies/", remova a linha. No teste, 51 de 122 lojas bloqueavam as próprias políticas.
  • Escreva no agents.md e na página de política, em números, o prazo de devolução, a regra de cancelamento e o valor mínimo do frete grátis.
  • Peça ao desenvolvedor os dados estruturados MerchantReturnPolicy e OfferShippingDetails na página de produto. Só 7% das páginas testadas tinham o prazo de devolução em campo legível.

O que ignorar do hype: o selo de pronto para agentes. Pronto, no teste, quis dizer checkout que abre, não venda que fecha.

O Universal Cart do Google junta lojas em um carrinho só, por enquanto nos Estados Unidos

O Google lançou em 15 de outubro de 2026 o Universal Cart na Busca, no AI Mode e no app Gemini. O Search Engine Journal detalhou como o carrinho chega à loja.

O que muda: o comprador junta produtos de vários varejistas, acompanha preço e estoque e paga com Google Pay ou transfere o carrinho para o site da loja. A transferência é de mão única: cria o carrinho na loja e não sincroniza alterações depois. O lojista escolhe a opção no hub de integração UCP, dentro do Merchant Center.

O que isso muda para o seu e-commerce: nada no caixa de novembro. O lançamento é só nos Estados Unidos, e Austrália e Canadá vêm no ano que vem. O que já vale é a direção: o Google quer o momento da decisão dentro da busca, e o Google Merchant Center vira a porta de entrada. Feed com preço errado ou estoque atrasado é o primeiro filtro.

Como adaptar agora:

  • No Merchant Center, abra Diagnóstico de produtos e conte os itens com aviso de preço ou disponibilidade divergente. Mais de 5% do catálogo com esse aviso é o gargalo a resolver antes do Universal Cart chegar.

O que ignorar do hype: o número de 60 bilhões de listagens. Ele mede o tamanho do catálogo do Google, não a chance da sua loja aparecer.

Brasil

Black Friday de R$ 13,3 bilhões, com ticket médio em queda

A Confi, com o E-Commerce Brasil, projeta R$ 13,3 bilhões no e-commerce brasileiro entre 26 e 29 de novembro, segundo o Meio & Mensagem de 13 de outubro de 2026. Dois dias depois, o mesmo veículo publicou pesquisa da BR Media sobre creators na data.

O que muda: a projeção é 20,7% acima dos R$ 11 bilhões de 2025. De janeiro a setembro de 2026, os pedidos subiram 34,9% e o ticket médio caiu 13,4%, de R$ 309,70 para R$ 268,20. Na Black Friday de 2025, marcas fizeram 65% das publicações e ficaram com 18,6% das interações. Creators fizeram 25,4% e ficaram com 74,8%.

O que isso muda para o seu e-commerce: mais pedido com ticket menor significa frete, embalagem e taxa pesando mais em cada venda. O faturamento recorde da data não garante margem. Se a sua margem de contribuição já é apertada, desconto em cima de ticket médio menor pode virar venda com prejuízo.

Como adaptar agora:

  • Pegue os pedidos da Black Friday de 2025 na plataforma da loja e calcule o ticket médio daqueles dias. Simule o desconto deste ano sobre um ticket 13% menor e veja se a margem de contribuição fica acima de 15%. Se não ficar, use kit ou frete grátis com valor mínimo em vez de desconto direto.
  • Separe uma parte do orçamento de criativo para conteúdo de creator que mostra o produto em uso. Na pesquisa, esse formato engajou 3,8%, contra 0,8% do post de produto e preço das marcas.

O que ignorar do hype: o número total de R$ 13,3 bilhões. Ele conta faturamento do mercado, não lucro da sua loja.

O novo SAC exige humano disponível quando o atendimento usa IA

O Decreto 13.135, de 9 de outubro de 2026, reformulou o SAC das plataformas digitais, segundo o Mobile Time. A regra entra em vigor em 2 de novembro.

O que muda: a IA pode fazer triagem, encaminhamento e resposta a dúvidas padrão, desde que o consumidor tenha opção de falar com uma pessoa em tempo real. O atendimento humano vai das 8h às 20h, sete dias por semana. O acesso ao humano não pode exigir CPF ou número de contrato.

O que isso muda para o seu e-commerce: a ressalva é de escopo. O decreto cita marketplaces, delivery e serviços regulados, não loja virtual própria de médio porte. Quem vende em marketplace sente o efeito pelo lado da plataforma, que vai cobrar prazo de resposta do seller. E a vigência cai a 24 dias da Black Friday, quando o volume de atendimento sobe.

Como adaptar agora:

  • Abra o fluxo do seu robô de WhatsApp ou chat e confira em quantos cliques o cliente chega a uma pessoa. Se passar de dois, crie a opção "falar com atendente" no primeiro menu.

O que ignorar do hype: a leitura de que o governo proibiu IA no atendimento. O decreto autoriza a IA e exige a saída para o humano.

O que vamos monitorar na próxima semana

Três coisas. Se a correção da UTM no ChatGPT aparece por completo nos dados de outubro, ou se parte do tráfego segue em Direct. Quando o controle de prioridade por canal chega às contas brasileiras, e se ele vem já com todos os canais em alta. E se a Meta confirma o Ads Super Burst com exclusividade de categoria para o Brasil antes da Black Friday. Você já sabe qual canal da sua conta está gastando sem que ninguém tenha decidido?

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William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.

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