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Radar Semanal - Semana 41 de 2026

ChatGPT concentra 96,3% das vendas por IA na Nuvemshop, Gemini passa a enviar UTM, Instagram Live Ads chega ao Brasil e a MP das bets mexe no leilão.

William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

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05 de outubro de 2026-10 min de leitura

A venda que nasce em conversa com IA ganhou número brasileiro. A Nuvemshop mediu 180 mil lojas e encontrou 96,3% das vendas sugeridas por IA saindo do ChatGPT, com ticket de R$ 380. Na mesma semana, o Gemini passou a marcar com UTM os links que envia, e a Shopify deixou o agente do navegador fechar o pedido no checkout. Do lado da mídia paga, a Meta trouxe a live impulsionada ao Brasil e a proibição das bets tirou do leilão um dos maiores compradores de mídia do país. O sinal da semana é este: o canal de IA deixou de ser palpite. Agora dá para medir, e quem mede primeiro decide melhor.

Plataformas

A live do Instagram virou anúncio no Brasil, com link para o site

A Meta lançou em 29 de setembro de 2026 o Instagram Live Ads no Brasil, segundo o Mobile Time. O Meio & Mensagem confirmou que o formato já rodava em teste com alguns anunciantes brasileiros.

O que muda: a transmissão ao vivo passa a ser distribuída como anúncio em Reels, Stories e Feed, para gente que não segue a conta. A live aceita link externo para site, aplicativo ou canal no WhatsApp. O formato vale para conta comercial ou de criador com mais de 1 mil seguidores.

O que isso muda para o seu e-commerce: a live deixa de depender da base de seguidores, que era o limite do formato para loja pequena. A ressalva vem antes da ação. Os dois números divulgados são da própria Meta: US$ 100 engajam até 24 vezes mais público, e um teste local mostrou mediana de 19% a mais em compras incrementais. A Meta não informou quantas marcas entraram no teste nem o ticket delas. Live ruim impulsionada continua sendo live ruim, só que paga.

Como adaptar agora:

  • Faça primeiro uma live sem verba, com link do site marcado com utm_medium=live. No GA4, abra Relatórios, Aquisição, Aquisição de tráfego e filtre essa mídia. Se a live orgânica não gera nenhuma compra em 48 horas, o problema é a oferta, e anúncio não corrige oferta.
  • Na segunda live, impulsione com R$ 500 e o mesmo link. Divida o gasto pelas compras atribuídas à UTM. Se o custo por compra ficar acima do custo da sua campanha de conversão no mesmo período, o formato não entra na rotina.

O que ignorar do hype: o "24 vezes mais público". Engajar em live é assistir alguns segundos. O número que paga a conta é a compra, e esse a Meta só mostrou em mediana.

A Meta trata dois vídeos com a mesma abertura como um anúncio só

O Marketing Brew publicou em 28 de setembro de 2026 como anunciantes estão refazendo a produção de criativos depois da orientação nova da Meta.

O que muda: segundo executivos de agências ouvidos pela reportagem, o sistema da Meta não ranqueia bem um anúncio com o mesmo visual ou o mesmo gancho de abertura de outro criativo do anunciante. Trocar só o texto sobre o mesmo vídeo conta como o mesmo criativo. A orientação é misturar vídeo com imagem estática e variar mensagem e tom. A Meta diz que não comenta como os modelos representam cada peça.

O que isso muda para o seu e-commerce: o teste de criativo que a maioria das lojas faz, com cinco versões do mesmo vídeo e legenda diferente, deixou de ser teste. O leilão enxerga uma peça e entrega para uma delas. Você paga cinco produções e aprende uma coisa. Em julho, a diretora financeira da Meta atribuiu a mudanças nesses modelos um aumento de 8,3% em cliques em anúncios, o que mostra para onde a empresa está levando o sistema.

Como adaptar agora:

  • No Gerenciador de Anúncios, vá ao nível de anúncio, selecione os últimos 14 dias e ordene por valor gasto. Assista aos 3 primeiros segundos dos 10 anúncios que mais gastaram. Se mais da metade abre com a mesma cena ou a mesma pessoa, a conta tem um criativo, não dez.
  • No próximo lote, exija três diferenças reais entre as peças: formato (vídeo ou estático), abertura e argumento de venda. Os critérios para ler o resultado estão no satélite sobre análise de criativo com IA.

O que ignorar do hype: as métricas de criativo na API de Insights. A Meta confirmou que estão em teste desde junho com um grupo pequeno de agências. Não chegaram à sua conta.

O Gemini começou a marcar com UTM os links que manda para o seu site

O Search Engine Journal registrou em 1º de outubro de 2026 que o Google passou a adicionar parâmetros UTM aos links de saída do Gemini.

O que muda: visita vinda do Gemini caía como tráfego direto no GA4 sempre que o referenciador se perdia no caminho. Um relato citado na reportagem estima que só 9% das visitas do aplicativo móvel chegavam identificadas. A UTM sobrevive ao navegador interno do aplicativo e aparece também no log do servidor. O Google ainda não documentou a mudança, e ninguém sabe em quais respostas a marcação entra.

O que isso muda para o seu e-commerce: parte do tráfego direto que você via crescer sem explicação era IA. A partir de outubro essa parte ganha nome, e a comparação com setembro fica torta: o Gemini vai parecer crescer quando só passou a ser contado. Quem usa modelo de atribuição baseado em origem precisa anotar a data.

Como adaptar agora:

  • No GA4, abra Relatórios, Aquisição, Aquisição de tráfego, troque a dimensão para Origem/mídia da sessão e busque "gemini". Anote sessões, taxa de conversão e receita de 1º de outubro em diante. Crie uma anotação no dia 1º de outubro com o texto "Gemini passa a enviar UTM".
  • Na mesma tela, compare o tráfego direto de outubro com o de setembro. Queda no direto do mesmo tamanho da alta no Gemini é reclassificação, não ganho de canal.

O que ignorar do hype: a leitura de que o Google resolveu a medição de IA. A marcação não tem documentação e pode mudar sem aviso. O ChatGPT já marcava os links, e só nas respostas apoiadas em busca na web.

IA e ferramentas

Na Shopify, o agente do navegador agora fecha o pedido

A Shopify estendeu em 28 de setembro de 2026 as ferramentas WebMCP ao checkout, segundo o Search Engine Journal.

O que muda: até agosto, o agente buscava produto e montava o carrinho. Agora ele lê o checkout aberto na aba do comprador, preenche contato, frete e cupom, e envia o pedido depois da confirmação da pessoa. O lojista não precisa ativar nada. O agente não troca os itens e não digita cartão novo: só escolhe um cartão salvo no Shop Pay. Em teste interno com 60 tentativas por método, o WebMCP acertou todas e levou 10,3 segundos por tentativa. A automação de navegador comum acertou 56 e levou 27,4 segundos.

O que isso muda para o seu e-commerce: se a sua loja está na Shopify, pedido feito por agente pode aparecer no seu relatório sem aviso e sem etiqueta. A documentação não diz como separar esses pedidos nem como desligar a função. A ressalva pesa: o teste rodou em lojas de teste da própria Shopify, com um único modelo, sem dado de pedido real. O checkout padrão de três páginas só recebe as ferramentas quando o comprador paga com Shop Pay. Para quem está em Nuvemshop, Tray ou VTEX, nada muda nesta semana.

Como adaptar agora:

  • No admin da Shopify, abra Configurações, Pagamentos e veja se o Shop Pay está ativo. Sem Shop Pay em checkout de três páginas, o agente não fecha pedido na sua loja e o assunto sai da sua lista.
  • Em Configurações, Checkout, liste os aplicativos que adicionam etapa obrigatória, como seguro ou campo extra. Cada um devolve o controle ao comprador e interrompe o agente. Decida se a etapa vale a interrupção.

O que ignorar do hype: a frase "os agentes já compram sozinhos". O agente só envia depois que a pessoa confirma o pedido e o total, e funciona apenas em navegador baseado em Chromium.

Mercado e benchmarks

96,3% das vendas sugeridas por IA na Nuvemshop vêm do ChatGPT

A Nuvemshop divulgou em 30 de setembro de 2026 um levantamento com a própria base, publicado pelo Mobile Time.

O que muda: os dados cobrem 180 mil marcas em cinco países, Brasil incluído, de janeiro a agosto de 2026. O ChatGPT concentra 96,3% das vendas sugeridas por IA generativa. O volume dessas vendas é 17 vezes o de 2025. O ticket médio é de R$ 380, 36% acima do ticket de quem chega por rede social e 10% acima do de quem chega pelo Google. Desde agosto a plataforma oferece o Pixel da OpenAI, que mede acessos, conversões e carrinhos abandonados vindos do ChatGPT.

O que isso muda para o seu e-commerce: existe um canal que você não compra, com ticket maior que o do Google, e ele tem um dono só. A ressalva é o que a pesquisa não diz. Ela não informa quanto do total de vendas vem de IA, e 17 vezes sobre uma base pequena continua sendo pouco. Recomendação orgânica também não é anúncio. O Digiday mostrou em 1º de outubro que a medição dos anúncios do ChatGPT segura as verbas em nível de teste: uma agência viu formulários preenchidos e zero conversão registrada duas semanas depois.

Como adaptar agora:

  • No GA4, em Aquisição de tráfego, busque "chatgpt" na origem da sessão nos últimos 90 dias. Compare ticket médio e taxa de conversão com a linha google / organic. Se o canal já passa de 1% da receita, ele entra no relatório mensal com linha própria.
  • No painel da Nuvemshop, ative a integração do Pixel da OpenAI liberada em agosto. Em 30 dias você tem acessos, conversões e carrinhos abandonados do canal, sem depender de UTM.
  • Abra o ChatGPT e peça recomendação dos seus 5 produtos mais vendidos pela categoria, sem citar a marca. Anote em quantas respostas a loja aparece. Zero em cinco define a prioridade: ficha de produto com atributo, preço e prazo escritos em texto. O conceito está no verbete de IA para e-commerce.

O que ignorar do hype: a projeção de que IA vai responder por 20% das visitas das lojas. É estimativa da própria Nuvemshop, sem prazo definido. O dado que serve hoje é o seu, no seu GA4.

Brasil

A MP das bets tirou do leilão um comprador de R$ 2,9 bilhões

O governo federal publicou em 25 de setembro de 2026 a Medida Provisória 1.394, que proíbe a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. O Meio & Mensagem detalhou o efeito sobre os contratos de mídia e ouviu, na véspera, executivos que falam em "apagão" de receita.

O que muda: a proibição vale para qualquer meio, físico ou digital. Nenhum contrato novo pode ser fechado, e o material já contratado só podia rodar até 5 de outubro. As 15 bets que estavam entre os 300 maiores anunciantes do país compraram mais de R$ 2,9 bilhões em mídia em 2025, segundo o Ibope Advertising Intelligence. Os executivos ouvidos esperam o impacto imediato na televisão e no digital, com destaque para o YouTube.

O que isso muda para o seu e-commerce: sai do leilão um comprador que disputava o mesmo público adulto que você disputa em vídeo. Menos disputa derruba o CPM, mas isso é hipótese até aparecer na sua conta. A ressalva é jurídica. A associação do setor entrou com ação no STF pedindo a suspensão, e toda MP precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias. O espaço pode fechar tão rápido quanto abriu. E ele abre a menos de oito semanas da Black Friday, quando o CPM sobe de qualquer forma.

Como adaptar agora:

  • No Google Ads, abra as campanhas de vídeo e Demand Gen, adicione a coluna CPM médio e compare 26 de setembro a 5 de outubro com as quatro semanas anteriores. Faça o mesmo no Gerenciador de Anúncios da Meta, com detalhamento por dia.
  • Se o CPM caiu mais de 10% e a taxa de conversão se manteve, suba a verba dessas campanhas em até 20% por semana e acompanhe o ROAS a cada 3 dias. Se o CPM não se mexeu, não mexa na verba.

O que ignorar do hype: a conta de que o dinheiro da aposta volta para o varejo no dia seguinte. As transações por Pix caíram 10% nos três dias após a MP, segundo o Olhar Digital. Isso mede quantidade de operação. Não mede compra em loja.

O que vamos monitorar na próxima semana

Três perguntas ficam abertas. O STF suspende a MP das bets antes que o CPM de outubro mostre alguma coisa? O Google documenta a UTM do Gemini ou muda o formato sem avisar? A Shopify diz se o lojista consegue separar no relatório o pedido fechado por agente? A pergunta que vale para a sua operação é outra. Se alguém pedisse hoje ao ChatGPT uma recomendação na sua categoria, a sua loja estaria na resposta, e você saberia medir a venda que veio dali?

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William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.

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