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Radar Semanal - Semana 40 de 2026

Portaria torna público o gasto em anúncio, modelos de IA ficam 40% a 50% mais baratos, GA4 filtra domínio estranho e a Amazon bloqueia o agente da Meta.

William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

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28 de setembro de 2026-11 min de leitura

Quanto você gasta em anúncio vai deixar de ser segredo no Brasil. O governo federal publicou em 23 de setembro uma portaria que obriga as plataformas grandes a manter um repositório público com quem pagou cada anúncio, quanto gastou e para quem mirou. Na mesma semana, Anthropic e OpenAI cortaram entre 40% e 50% o custo dos modelos novos. E a Amazon bloqueou o agente de compras da Meta. O sinal da semana é esse: fazer ficou mais barato, e esconder ficou mais difícil.

Plataformas

O GA4 agora aceita lista de domínios aprovados, e isso limpa a receita que você apresenta

O Google lançou em 21 de setembro de 2026 o filtro de inclusão por hostname no GA4. O Search Engine Journal detalhou no dia seguinte como o filtro funciona e o que ele bloqueia.

O que muda: até agora, o filtro de hostname só excluía, e a lista de spam era atualizada à mão. Agora a propriedade define os domínios dos quais aceita evento, e o resto fica de fora. Evento enviado pelo Measurement Protocol passa sem filtro. Evento sem hostname nenhum é bloqueado, porque o Google trata a ausência como sinal de spam.

O que isso muda para o seu e-commerce: o GA4 de loja pequena costuma receber dado que não é dela. Em setembro, a Moyker encontrou em uma conta de turismo uma propriedade medindo quatro domínios, um deles de outra empresa, com o mesmo ID de medição. A ressalva vem antes da ação: filtro ativo altera o dado de forma permanente, e domínio de checkout esquecido na lista apaga venda de verdade.

Como adaptar agora:

  • No GA4, abra Relatórios, Tecnologia, Detalhes da tecnologia, e troque a dimensão para Nome do host nos últimos 90 dias. Anote todo hostname que aparece. Se algum não é seu e soma mais de 1% das sessões, o filtro entra nesta semana.
  • Em Administrador, Coleta e modificação de dados, Filtros de dados, crie o filtro de inclusão com o seu domínio, o domínio do checkout e o do gateway de pagamento. Deixe 7 dias no estado Testando e compare a receita com o backend da loja antes de ativar. O passo a passo dos eventos está no satélite sobre setup de GA4 para e-commerce.

O que ignorar do hype: a ideia de que o filtro resolve rastreamento. Ele tira lixo. Evento de compra duplicado ou sem valor continua exatamente onde estava.

O Google Ads vai mostrar o caminho inteiro do AI Max, do termo pesquisado até a página

O Google anunciou em 23 de setembro de 2026 o AI Brief em mais idiomas, incluindo português, e um relatório novo para o AI Max.

O que muda: o AI Brief, ainda em beta fechado, deixa o anunciante descrever o negócio, o público e as mensagens em texto livre para orientar o AI Max. O relatório novo junta em uma tela o termo que disparou o anúncio, os ativos que a pessoa viu e a página exata em que ela caiu. O Google não deu data: fala em detalhes e disponibilidade até o fim do ano.

O que isso muda para o seu e-commerce: até aqui, o AI Max escolhia termo, texto e página sem mostrar a combinação completa. O relatório corrige parte disso. O AI Brief, por outro lado, é o anunciante escrevendo para a máquina, e ela vai obedecer ao que estiver escrito, inclusive ao erro.

Como adaptar agora:

  • No Google Ads, abra Insights e relatórios, Termos de pesquisa, nos últimos 30 dias da campanha com AI Max. Some o gasto em termos que você nunca compraria de propósito. Acima de 15% do gasto, a campanha precisa de negativação antes de qualquer aumento de verba.
  • Escreva agora, em um documento, o texto que vai virar o seu AI Brief: categorias com margem acima de 30%, produtos que não devem aparecer em anúncio e as três promessas que a loja cumpre. Os critérios do que a IA faz bem estão no satélite sobre o que confiar em IA para anúncios.

O que ignorar do hype: a promessa do Google de que o relatório valida o AI Max. Relatório do dono do leilão mostra o caminho. Quem valida é a sua margem.

O YouTube vai comparar produtos por você, e o afiliado da Amazon chega ao Brasil

O YouTube apresentou em 23 de setembro de 2026, no Made on YouTube, as funções de compra do Ask YouTube e a expansão do programa de afiliados. O Search Engine Journal detalhou como a tabela comparativa aparece na busca.

O que muda: quem busca avaliação de um produto pode receber os vídeos organizados em tabela, com atributos e categorias. Essa versão de busca é experimento, só nos Estados Unidos e em inglês. A mudança que chega aqui é outra: segundo a Reuters, citada pelo Olhar Digital, o Brasil entra na lista de 35 países em que criadores vão marcar produtos da Amazon e receber comissão.

O que isso muda para o seu e-commerce: o vídeo de review de terceiro vira vitrine com link de compra, e o link vai para a Amazon. Se o seu produto está lá, o criador ganha motivo para falar dele. Se não está, ganha motivo para falar do concorrente que está.

Como adaptar agora:

  • No YouTube, busque o nome dos seus 5 produtos mais vendidos seguido de "review" ou "vale a pena". Anote os 10 primeiros criadores e quantos citam a sua marca. Menos de 2 em 10 é o tamanho do buraco.

O que ignorar do hype: a tabela comparativa. Ela não chegou ao Brasil e não tem data. O que tem efeito em 2026 é o afiliado.

IA e ferramentas

Os modelos de topo ficaram 40% a 50% mais baratos em uma semana

A Anthropic lançou em 22 de setembro de 2026 o Claude Opus 5.5. No mesmo dia, a OpenAI lançou o GPT-6 Sol e o GPT-6 Luna, com os preços registrados pelo Olhar Digital.

O que muda: o Opus 5.5 cobra US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 por milhão de saída, 20% menos que o Opus 5. Somado ao uso menor de tokens por tarefa, a Anthropic calcula 40% de economia nas cargas típicas. O GPT-6 Sol custa US$ 2 e US$ 10, e o Luna, US$ 0,10 e US$ 0,50, metade dos preços promocionais da geração anterior.

O que isso muda para o seu e-commerce: tarefa que não fechava a conta no semestre passado pode fechar agora. A ressalva é da própria Anthropic: nesse nível, a diferença em benchmark virou guia pouco confiável do uso real. E todos os números da semana foram publicados por quem vende o modelo.

Como adaptar agora:

  • Liste as três tarefas repetidas que a sua equipe mais faz por semana. Rode 20 exemplos reais de cada no modelo mais barato e no de topo, e conte quantas saídas precisaram de correção humana.
  • Se o modelo barato erra até 2 em 20, ele fica com a tarefa. Acima disso, o de topo se paga no tempo de revisão. O critério de quando montar isso dentro de casa está no satélite sobre copiloto interno ou SaaS.

O que ignorar do hype: a migração de 680 mil linhas de código em um dia. O ganho que chega ao seu caixa é o custo por tarefa, não o recorde.

A Amazon bloqueou o agente de compras da Meta, e o seu site vai ter de decidir a mesma coisa

A Amazon começou a bloquear em 20 de setembro de 2026 o Muse, agente de compras da Meta. O motivo foi a recusa da Meta em retirá-lo, segundo a reportagem da Bloomberg publicada pelo Meio & Mensagem.

O que muda: quem usa o Muse na Amazon recebe avisos de que o uso viola os termos do site. A Amazon também proibiu outras ferramentas automatizadas de comprar em seu nome. A Amazon já processa a Perplexity pelo mesmo motivo desde o ano passado.

O que isso muda para o seu e-commerce: a Amazon decidiu que agente alheio não compra no site dela sem acordo. A sua loja não tem esse poder de barganha, e bloquear agente pode custar a venda que ele traria. Ao mesmo tempo, a própria reportagem registra que o consumidor usa bot para pesquisar, não para fechar compra.

Como adaptar agora:

  • No painel de bots da sua CDN ou no log do servidor, conte as requisições de agentes de IA nos últimos 30 dias e em quais páginas elas batem. Se passam do carrinho, você já tem agente tentando comprar.
  • Não bloqueie nada antes de medir. Agente que lê catálogo fica liberado. Agente que cria pedido sem se identificar vira pauta com a plataforma da loja.

O que ignorar do hype: a manchete de guerra entre gigantes. A pergunta desta semana é quantos agentes já passam pelo seu site.

Mercado e benchmarks

O AI Mode tira clique do site, e agora há experimento controlado mostrando isso

O Search Engine Journal publicou em 21 de setembro de 2026 o resumo de um experimento da Universidade da Pensilvânia e da Northeastern com o comportamento de busca de 1.100 pessoas. Em 24 de setembro, o mesmo veículo publicou o relatório da Chartbeat com queda de 40,2% na busca do Google para publishers.

O que muda: no experimento, quem foi levado ao AI Mode clicou menos em sites externos, e quem teve os AI Overviews escondidos clicou mais, sem perder satisfação com a busca. Pela Chartbeat, a busca do Google caiu 40,2% em 12 meses até julho de 2026, contra 21,9% no ano anterior.

O que isso muda para o seu e-commerce: os dois estudos têm limite, e ele precede qualquer conclusão. O paper é rascunho e só escondeu 51,1% dos AI Overviews, porque o Google mudou o código da página no meio do teste. A Chartbeat mede sites de notícia, não loja. O que se aplica ao varejo é a direção: conteúdo fácil de resumir perde clique primeiro, e o blog de dicas da loja é exatamente esse conteúdo.

Como adaptar agora:

  • No Search Console, abra Desempenho, compare os últimos 3 meses com o mesmo período do ano anterior e separe por página os cliques do blog e os de produto e categoria.
  • Se o blog caiu mais de 30% e produto ficou estável, o esforço de conteúdo da próxima fila vai para página de categoria e ficha de produto, não para artigo novo.

O que ignorar do hype: a morte do SEO. Página de produto responde a uma pergunta que resumo nenhum resolve: quanto custa e quando chega.

Brasil

O governo vai tornar público quanto você gasta em anúncio e para quem

O Mobile Time publicou em 23 de setembro de 2026 a portaria do governo federal que regula a publicidade em ambiente digital.

O que muda: plataformas com mais de 1 milhão de usuários ativos por mês no Brasil passam a manter um repositório público, gratuito e pesquisável de anúncios e impulsionamentos pagos, com 12 meses de histórico. Qualquer pessoa vai poder consultar quem pagou, com CPF ou CNPJ, quanto gastou, qual público foi alvo e quantas pessoas foram alcançadas. A relação paga entre criador e marca tem de ficar visível durante todo o conteúdo, inclusive em live. As ferramentas de transparência têm 90 dias para entrar em vigor, e as demais regras, 30 dias. A Senacon fiscaliza.

O que isso muda para o seu e-commerce: hoje, a Biblioteca de Anúncios da Meta mostra o anúncio ativo, mas não mostra quanto a loja gastou nem para quem mirou. Com a portaria, o seu concorrente vai ver a sua verba e o seu público, e você vai ver os dele. Parceria com influenciador sem aviso vira infração de consumo. A ressalva: a matéria não detalha como cada plataforma vai montar o repositório, e o formato pode mudar até lá.

Como adaptar agora:

  • Liste os criadores com quem a loja teve permuta, pagamento ou comissão nos últimos 12 meses. Para cada post ainda no ar sem rótulo de parceria paga visível, corrija em 30 dias.
  • Revise os anúncios ativos com promessa de preço, prazo ou desconto. Anúncio que não se sustenta com print do site vai ficar arquivado por 12 meses em repositório aberto.
  • Quando o repositório abrir, monte uma planilha mensal com o gasto declarado dos 5 concorrentes diretos. É o primeiro dado público de verba do seu setor.

O que ignorar do hype: a leitura de que a portaria acaba com o anúncio de influenciador. Ela exige aviso, não proíbe a parceria.

Metade dos brasileiros começa a pesquisar a Black Friday um mês antes

O Meio & Mensagem publicou em 21 de setembro de 2026 a Pesquisa de Intenção de Compra da LWSA para a Black Friday de 2026, marcada para 27 de novembro.

O que muda: 50% dos consumidores começam a pesquisar promoção um mês antes da data, 19% deixam para a semana e 5% pesquisam na sexta. 54% pretendem comprar ao longo de novembro, e só 20% no dia. Para pagar, 58% preferem parcelamento sem juros. Um em cada quatro desiste se o site falha.

O que isso muda para o seu e-commerce: a pesquisa da Black Friday começa em 27 de outubro para metade dos consumidores, e a loja que aquece a base só na semana chega tarde. A ressalva está na amostra: 1.044 entrevistas online, com 52% das classes D e E, e intenção declarada não é pedido. Loja de ticket alto e público A e B deve ler os números como direção, não como meta.

Como adaptar agora:

  • Monte até 20 de outubro o público de remarketing e a lista de e-mail e WhatsApp que recebem a campanha de aquecimento a partir de 27 de outubro.
  • Calcule a margem de contribuição de cada item da vitrine com a taxa do parcelamento sem juros embutida. Se a margem cai abaixo de 10% em 10 vezes, limite o parcelamento naquele item.
  • Rode um teste de carga no checkout antes de 15 de novembro. Se um em cada quatro desiste quando o site falha, a falha no pico custa mais que qualquer desconto.

O que ignorar do hype: os 13% que já pesquisam a Black Friday no ChatGPT e no Gemini. É o número menor da pesquisa, e o canal que decide novembro continua sendo o seu site, com 55% da preferência de compra.

O que vamos monitorar na próxima semana

Três perguntas ficam abertas. Meta e Google vão dizer em que formato o gasto aparece no repositório da portaria? O AI Brief em português sai do beta fechado antes da Black Friday? Sonnet 5.5 e Haiku 5.5, prometidos para as próximas semanas, trazem a mesma queda de custo? A pergunta que vale para a sua operação é mais simples: se o seu concorrente abrir o repositório em janeiro e vir a sua verba, ele vai encontrar uma estratégia ou um improviso?

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William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.

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