Quanto custa um gestor de tráfego (e por que preço não é o critério)
Gestão de tráfego pago custa R$ 1.500 a R$ 15.000 por mês. Fee fixo, percentual da verba e performance criam incentivos opostos. O critério não é preço.

William Ribeiro
Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce
O preço praticado no Brasil para gestão de tráfego pago em e-commerce vai de R$ 1.500 a R$ 15.000 por mês. Essa faixa não resolve a sua decisão. Dois profissionais cobrando R$ 4.000 podem ter incentivos opostos, dependendo de como o contrato foi desenhado.
O critério único de decisão é qual comportamento o modelo de remuneração recompensa quando a conta está ruim. Preço é consequência do escopo. Incentivo é o que determina qual recomendação você recebe no mês em que o CAC subir 30%.
Três modelos dominam o mercado: fee fixo, percentual da verba e percentual sobre resultado. Eles não são variações de preço. São três apostas diferentes sobre quem assume qual risco.
A ressalva que vem antes de escolher modelo: o piso de verba
Existe um patamar de investimento abaixo do qual nenhum modelo se paga. Nesse patamar, preço realmente vira o critério.
A conta é direta. Gestão só se justifica se a melhora que ela produz cobre o próprio custo. Com fee de R$ 3.000 por mês e margem de contribuição de 40%, a operação precisa de R$ 7.500 de receita incremental por mês só para empatar. Se a verba mensal é R$ 10.000 e a conta roda ROAS 3, isso significa levar o ROAS de 3 para 3,75. Melhora de 25%. Com verba de R$ 50.000, os mesmos R$ 7.500 exigem melhora de 5%.
Melhora de 5% em conta mal gerida é quase certa. Melhora de 25% é aposta. Por isso o piso prático fica entre R$ 15.000 e R$ 20.000 de verba mensal para gestão terceirizada com fee de mercado. Abaixo disso, o mesmo dinheiro rende mais em produção de criativo e em corrigir os furos de diagnóstico técnico do que em honorário.
A variável que move esse piso não é o preço do gestor. É a sua margem de contribuição. Loja com margem de 20% precisa do dobro de receita incremental para pagar o mesmo fee, e essa aritmética é a mesma que separa ROAS de resultado no caixa em ROAS versus unit economics.
Fee fixo: o único modelo que permite recomendar corte de verba
Fee fixo é valor mensal fechado por escopo, independente de quanto você investe ou fatura. Faixa observada em e-commerce brasileiro: R$ 2.000 a R$ 8.000 por conta, conforme senioridade e número de frentes no escopo.
O incentivo negativo é conhecido. O gestor recebe o mesmo trabalhando muito ou pouco na sua conta, então o comportamento racional dele é maximizar número de contas e minimizar horas por conta. Você paga por atenção e recebe rotina.
O incentivo positivo compensa em um cenário específico e caro. Fee fixo é o único dos três modelos em que recomendar redução de investimento não custa nada para quem recomenda. Suponha que o diagnóstico correto nos primeiros 90 dias seja cortar a verba pela metade e arrumar página de produto e retenção antes de escalar. Só o fee fixo entrega essa recomendação sem conflito. Nos outros dois modelos, essa frase reduz o faturamento de quem a diz.
Quando vence: operação que precisa de diagnóstico e reconstrução, conta com histórico de troca de fornecedor sem mudança de resultado, e qualquer contexto em que reduzir verba seja decisão plausível.
Percentual da verba: paga mais quando você erra para cima
O modelo cobra 10% a 20% do investimento mensal em mídia. Verba de R$ 60.000 gera honorário de R$ 6.000 a R$ 12.000.
A mecânica do problema não é ganância, é matemática de leilão. A documentação do Google Ads sobre CPA desejado afirma que o alvo definido influencia o número de conversões obtidas, e que alvo mais baixo reduz volume. A leitura inversa é a que importa aqui: para gastar mais dentro do mesmo público, você aceita custo por aquisição maior. Escalar verba empurra o CAC para cima em algum ponto da curva.
O percentual da verba remunera exatamente esse empurrão. O gestor ganha mais no mês em que sugere subir de R$ 40.000 para R$ 60.000, e ganha mais mesmo que os R$ 20.000 adicionais tenham entrado com CAC 60% pior e queimado margem. Você contratou alguém para dizer quando parar e criou uma razão financeira para não dizer.
Existe versão defensável do modelo. Percentual com teto absoluto, piso de serviço e gatilho de renegociação atrelado ao CAC: se o custo por aquisição do bloco de prospecção passa do teto acordado, o percentual congela no patamar anterior. Poucos contratos no mercado trazem essa cláusula. Peça a inclusão por escrito.
Quando vence: contas em que o esforço operacional cresce junto com a verba, com muitas campanhas, vários mercados e produção contínua de criativo. Aí o percentual funciona como proxy de escopo, não como comissão.
Percentual sobre resultado: alinhado no papel, quebrado na atribuição
O modelo cobra 3% a 10% sobre a receita atribuída à mídia, às vezes com fee reduzido mais bônus. Parece o mais justo dos três. É o mais fácil de quebrar.
O defeito está na base de cálculo. Receita atribuída é um número que a própria plataforma produz sob regras próprias. A configuração padrão de atribuição do Meta considera 7 dias após o clique e 1 dia após a visualização. O Google Ads distribui crédito segundo o modelo de atribuição dele, dentro da própria rede. Nenhum dos dois enxerga o outro, e a soma das duas colunas quase sempre passa do número de pedidos reais. Remunerar sobre esse número é remunerar dupla contagem, mecânica destrinchada em onde o dashboard mente.
O segundo defeito é mais silencioso e mais caro. Comissão sobre receita atribuída favorece campanha de marca e remarketing de carrinho, que colhem demanda já existente com ROAS alto, e desfavorece prospecção fria, que constrói demanda com número pior no curto prazo. O modelo transforma o gestor em colhedor de estoque de demanda. O gráfico sobe por dois trimestres e cai depois sem causa aparente.
Existe desenho que funciona: base de cálculo na receita total da loja, não na atribuída, com baseline dos 3 meses anteriores congelado em contrato e pagamento apenas sobre o incremento acima desse baseline. Exige que as duas partes aceitem revisar o baseline a cada 6 meses. É o mais trabalhoso de negociar e o único em que ninguém ganha por relatório bonito.
Matriz de decisão por contexto
| Contexto | Modelo | Por que |
|---|---|---|
| Verba abaixo de R$ 15.000 por mês | Nenhum, ainda | Fee de mercado não se paga na margem |
| Problema estrutural e histórico de troca de fornecedor | Fee fixo | Cortar verba precisa ser recomendação sem custo |
| Operação estável, muitas frentes, criativo contínuo | Percentual da verba com teto | Esforço cresce junto com a verba |
| Receita total confiável e disposição de congelar baseline | Percentual sobre incremento | Único desenho que remunera resultado real |
| Margem de contribuição abaixo de 25% | Fee fixo, escopo enxuto | Erro de escala custa mais que o honorário |
O que perguntar antes de assinar
Quatro perguntas, todas verificáveis na própria reunião de contratação.
- "Em qual situação você me recomendaria reduzir investimento?" Resposta genérica ou inexistente indica conflito embutido no modelo. Resposta boa cita número: qual CAC, medido em qual janela, por quantas semanas.
- "Qual número entra na sua base de cálculo, a receita atribuída pela plataforma ou a receita do meu back-office?" Peça para abrir a fonte na hora, na tela. Se a resposta for a coluna do gerenciador, você vai pagar por dupla contagem.
- "Como você separa demanda gerada de demanda capturada no relatório?" Sem essa separação, marca e remarketing carregam o número e a conta desaba com 3 a 6 semanas de atraso, padrão descrito em sistema versus campanha isolada.
- "Qual é o teto de verba a partir do qual você acredita que o CAC quebra nesta operação?" Gestor sem hipótese de teto ainda não pensou na sua conta. Pensou no orçamento dele.
Rode as quatro na mesma reunião e compare o resultado com o preço da proposta. A distância entre as duas coisas costuma ser maior que a distância entre a proposta mais cara e a mais barata.
A recomendação da Moyker para e-commerce faturando de R$ 50.000 a R$ 500.000 por mês é fee fixo nos primeiros 6 meses. Escopo escrito, e revisão de modelo depois do primeiro ciclo completo de diagnóstico. Nesse patamar, uma decisão errada de escala custa entre R$ 20.000 e R$ 80.000 por trimestre em margem queimada. O honorário é a menor linha dessa conta e a única que todo mundo negocia.
Qual foi a última vez que alguém te recomendou gastar menos, e quanto essa pessoa perdia se você aceitasse?
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William Ribeiro
Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce
Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.
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