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Pergunta rápidaGestão de tráfego pago pra e-commerce

Quanto custa um gestor de tráfego (e por que preço não é o critério)

Gestão de tráfego pago custa R$ 1.500 a R$ 15.000 por mês. Fee fixo, percentual da verba e performance criam incentivos opostos. O critério não é preço.

William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

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24 de julho de 2026-Atualizado em 24 de julho de 2026-7 min de leitura

O preço praticado no Brasil para gestão de tráfego pago em e-commerce vai de R$ 1.500 a R$ 15.000 por mês. Essa faixa não resolve a sua decisão. Dois profissionais cobrando R$ 4.000 podem ter incentivos opostos, dependendo de como o contrato foi desenhado.

O critério único de decisão é qual comportamento o modelo de remuneração recompensa quando a conta está ruim. Preço é consequência do escopo. Incentivo é o que determina qual recomendação você recebe no mês em que o CAC subir 30%.

Três modelos dominam o mercado: fee fixo, percentual da verba e percentual sobre resultado. Eles não são variações de preço. São três apostas diferentes sobre quem assume qual risco.

A ressalva que vem antes de escolher modelo: o piso de verba

Existe um patamar de investimento abaixo do qual nenhum modelo se paga. Nesse patamar, preço realmente vira o critério.

A conta é direta. Gestão só se justifica se a melhora que ela produz cobre o próprio custo. Com fee de R$ 3.000 por mês e margem de contribuição de 40%, a operação precisa de R$ 7.500 de receita incremental por mês só para empatar. Se a verba mensal é R$ 10.000 e a conta roda ROAS 3, isso significa levar o ROAS de 3 para 3,75. Melhora de 25%. Com verba de R$ 50.000, os mesmos R$ 7.500 exigem melhora de 5%.

Melhora de 5% em conta mal gerida é quase certa. Melhora de 25% é aposta. Por isso o piso prático fica entre R$ 15.000 e R$ 20.000 de verba mensal para gestão terceirizada com fee de mercado. Abaixo disso, o mesmo dinheiro rende mais em produção de criativo e em corrigir os furos de diagnóstico técnico do que em honorário.

A variável que move esse piso não é o preço do gestor. É a sua margem de contribuição. Loja com margem de 20% precisa do dobro de receita incremental para pagar o mesmo fee, e essa aritmética é a mesma que separa ROAS de resultado no caixa em ROAS versus unit economics.

Fee fixo: o único modelo que permite recomendar corte de verba

Fee fixo é valor mensal fechado por escopo, independente de quanto você investe ou fatura. Faixa observada em e-commerce brasileiro: R$ 2.000 a R$ 8.000 por conta, conforme senioridade e número de frentes no escopo.

O incentivo negativo é conhecido. O gestor recebe o mesmo trabalhando muito ou pouco na sua conta, então o comportamento racional dele é maximizar número de contas e minimizar horas por conta. Você paga por atenção e recebe rotina.

O incentivo positivo compensa em um cenário específico e caro. Fee fixo é o único dos três modelos em que recomendar redução de investimento não custa nada para quem recomenda. Suponha que o diagnóstico correto nos primeiros 90 dias seja cortar a verba pela metade e arrumar página de produto e retenção antes de escalar. Só o fee fixo entrega essa recomendação sem conflito. Nos outros dois modelos, essa frase reduz o faturamento de quem a diz.

Quando vence: operação que precisa de diagnóstico e reconstrução, conta com histórico de troca de fornecedor sem mudança de resultado, e qualquer contexto em que reduzir verba seja decisão plausível.

Percentual da verba: paga mais quando você erra para cima

O modelo cobra 10% a 20% do investimento mensal em mídia. Verba de R$ 60.000 gera honorário de R$ 6.000 a R$ 12.000.

A mecânica do problema não é ganância, é matemática de leilão. A documentação do Google Ads sobre CPA desejado afirma que o alvo definido influencia o número de conversões obtidas, e que alvo mais baixo reduz volume. A leitura inversa é a que importa aqui: para gastar mais dentro do mesmo público, você aceita custo por aquisição maior. Escalar verba empurra o CAC para cima em algum ponto da curva.

O percentual da verba remunera exatamente esse empurrão. O gestor ganha mais no mês em que sugere subir de R$ 40.000 para R$ 60.000, e ganha mais mesmo que os R$ 20.000 adicionais tenham entrado com CAC 60% pior e queimado margem. Você contratou alguém para dizer quando parar e criou uma razão financeira para não dizer.

Existe versão defensável do modelo. Percentual com teto absoluto, piso de serviço e gatilho de renegociação atrelado ao CAC: se o custo por aquisição do bloco de prospecção passa do teto acordado, o percentual congela no patamar anterior. Poucos contratos no mercado trazem essa cláusula. Peça a inclusão por escrito.

Quando vence: contas em que o esforço operacional cresce junto com a verba, com muitas campanhas, vários mercados e produção contínua de criativo. Aí o percentual funciona como proxy de escopo, não como comissão.

Percentual sobre resultado: alinhado no papel, quebrado na atribuição

O modelo cobra 3% a 10% sobre a receita atribuída à mídia, às vezes com fee reduzido mais bônus. Parece o mais justo dos três. É o mais fácil de quebrar.

O defeito está na base de cálculo. Receita atribuída é um número que a própria plataforma produz sob regras próprias. A configuração padrão de atribuição do Meta considera 7 dias após o clique e 1 dia após a visualização. O Google Ads distribui crédito segundo o modelo de atribuição dele, dentro da própria rede. Nenhum dos dois enxerga o outro, e a soma das duas colunas quase sempre passa do número de pedidos reais. Remunerar sobre esse número é remunerar dupla contagem, mecânica destrinchada em onde o dashboard mente.

O segundo defeito é mais silencioso e mais caro. Comissão sobre receita atribuída favorece campanha de marca e remarketing de carrinho, que colhem demanda já existente com ROAS alto, e desfavorece prospecção fria, que constrói demanda com número pior no curto prazo. O modelo transforma o gestor em colhedor de estoque de demanda. O gráfico sobe por dois trimestres e cai depois sem causa aparente.

Existe desenho que funciona: base de cálculo na receita total da loja, não na atribuída, com baseline dos 3 meses anteriores congelado em contrato e pagamento apenas sobre o incremento acima desse baseline. Exige que as duas partes aceitem revisar o baseline a cada 6 meses. É o mais trabalhoso de negociar e o único em que ninguém ganha por relatório bonito.

Matriz de decisão por contexto

ContextoModeloPor que
Verba abaixo de R$ 15.000 por mêsNenhum, aindaFee de mercado não se paga na margem
Problema estrutural e histórico de troca de fornecedorFee fixoCortar verba precisa ser recomendação sem custo
Operação estável, muitas frentes, criativo contínuoPercentual da verba com tetoEsforço cresce junto com a verba
Receita total confiável e disposição de congelar baselinePercentual sobre incrementoÚnico desenho que remunera resultado real
Margem de contribuição abaixo de 25%Fee fixo, escopo enxutoErro de escala custa mais que o honorário

O que perguntar antes de assinar

Quatro perguntas, todas verificáveis na própria reunião de contratação.

  1. "Em qual situação você me recomendaria reduzir investimento?" Resposta genérica ou inexistente indica conflito embutido no modelo. Resposta boa cita número: qual CAC, medido em qual janela, por quantas semanas.
  2. "Qual número entra na sua base de cálculo, a receita atribuída pela plataforma ou a receita do meu back-office?" Peça para abrir a fonte na hora, na tela. Se a resposta for a coluna do gerenciador, você vai pagar por dupla contagem.
  3. "Como você separa demanda gerada de demanda capturada no relatório?" Sem essa separação, marca e remarketing carregam o número e a conta desaba com 3 a 6 semanas de atraso, padrão descrito em sistema versus campanha isolada.
  4. "Qual é o teto de verba a partir do qual você acredita que o CAC quebra nesta operação?" Gestor sem hipótese de teto ainda não pensou na sua conta. Pensou no orçamento dele.

Rode as quatro na mesma reunião e compare o resultado com o preço da proposta. A distância entre as duas coisas costuma ser maior que a distância entre a proposta mais cara e a mais barata.

A recomendação da Moyker para e-commerce faturando de R$ 50.000 a R$ 500.000 por mês é fee fixo nos primeiros 6 meses. Escopo escrito, e revisão de modelo depois do primeiro ciclo completo de diagnóstico. Nesse patamar, uma decisão errada de escala custa entre R$ 20.000 e R$ 80.000 por trimestre em margem queimada. O honorário é a menor linha dessa conta e a única que todo mundo negocia.

Qual foi a última vez que alguém te recomendou gastar menos, e quanto essa pessoa perdia se você aceitasse?

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William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.

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