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Análise rápida

Google diz que abriu bilhões de buscas monetizáveis: o teto do seu Search era a sua lista de palavras-chave

William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

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30 de julho de 2026-4 min de leitura

"Meu Search já está no teto, cobri todas as palavras-chave do nicho." Essa frase aparece em quase toda auditoria de conta de e-commerce que a gente abre, e ela ganhou data de validade. Em 22 de julho de 2026, na teleconferência de resultados do segundo trimestre da Alphabet, Philipp Schindler, vice-presidente sênior e diretor comercial do Google, disse que o AI Max está destravando bilhões de buscas que antes não eram monetizáveis por serem complexas ou ambíguas demais para segmentação por palavra-chave. O Search Engine Land publicou a fala em 23 de julho. O recurso saiu do beta e já roda em mais de 500 mil anunciantes, segundo o blog oficial do Google Ads.

De onde vem o mito

O teto vem de uma métrica do próprio Google Ads: parcela de impressões de pesquisa. Ela divide quantas vezes o seu anúncio apareceu por quantas vezes ele era elegível a aparecer. A coluna marca 92% e o gestor lê "cobri 92% do meu mercado". Não é o que a métrica diz. Elegibilidade só nasce quando a busca casa com alguma palavra-chave que você declarou. Busca que nunca casou nunca entrou no leilão, então nunca entrou no denominador. Parcela de impressões de 92% mede 92% da demanda que você declarou, não 92% da demanda que existe.

A ressalva antes de mexer na conta

Bilhão de busca nova no agregado do Google não é demanda nova para o seu catálogo. Um e-commerce com 40 SKUs em categoria estreita tem teto real de volume, e ele não se move porque o Gemini passou a entender pergunta longa. Ligar correspondência ampliada de termo em cima de catálogo raso compra clique irrelevante mais rápido, não venda. O número divulgado é de plataforma. O seu mercado endereçável continua sendo o seu, e quem confunde os dois financia o inventário novo do Google com a própria margem.

O que o mito esconde

Os três números que o Google colocou na mesa medem coisas diferentes. Na teleconferência, 15% de aumento médio em conversões ou valor de conversão com ROAS parecido, para quem usa AI Max ou Performance Max. No blog do produto, 7% para quem liga o conjunto completo de recursos comparado a quem usa só correspondência de termo. E cerca de 20% de melhora na relevância de anúncio de Shopping em busca complexa, atribuída ao Gemini. Três bases de comparação, todas medidas pela plataforma que vende o espaço. Nenhuma delas fala de margem de contribuição.

O que esses números descrevem é criação de inventário. O Google está testando link patrocinado dentro da resposta em lista da IA e oferta contextual durante pesquisa de planejamento, com a IHG Hotels citada como parceira. Superfície nova, sem segmentação dedicada e sem relatório separado, repete o padrão que apareceu no AI Mode, onde anúncio e citação são dois leilões diferentes.

A realidade nua

A decisão de cobertura saiu da sua lista de palavras-chave e foi para o Gemini. Isso muda duas coisas na conta. A primeira é estrutura: organizar campanha por termo perde sentido, porque o ativo que decide se você aparece passa a ser feed de produto, criativo e página de destino. A segunda é diagnóstico, e é a que dói. Descoberta nova e demanda de marca canibalizada chegam no mesmo grupo de anúncios, na mesma linha do relatório. É a perda de separação contábil que já apareceu no fim do DSA, agora aplicada à conta inteira.

Como saber se você está comprando o mito

  1. No Google Ads, em Campanhas, adicione as colunas parcela de impressões de pesquisa, parcela perdida por classificação e parcela perdida por orçamento nos últimos 30 dias. Se a parcela passa de 85% e a perda por orçamento fica abaixo de 5%, o seu teto é a lista de palavras-chave, não o mercado.
  2. Abra o relatório de termos de pesquisa dos últimos 90 dias e filtre conversões acima de zero. Conte quantos termos com conversão não existem como palavra-chave na conta. Passando de 20% das conversões, a cobertura nunca foi completa.
  3. Antes de ligar correspondência ampliada de termo, congele a base. Separe marca e não marca com lista de marca e registre conversão e receita de cada segmento por 30 dias. Depois de ligar, se o ganho de conversão aparecer só no segmento de marca em 14 dias, desligue o recurso: é canibalização, não descoberta.

A conta que não separa marca de não marca hoje vai receber bilhões de buscas novas e uma única linha de relatório para explicar todas elas. Diagnóstico vem antes de campanha exatamente por isso.

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William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.

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Tipo: Análise rápida.