Google Ads mostra qual título de IA está no ar no Shopping

William Ribeiro
Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce
O Google Ads começou a liberar em 26 de agosto de 2026 o relatório Product titles. Ele mostra qual título de produto gerado por inteligência artificial está sendo servido nos seus anúncios de Shopping e como esse título performa. A informação saiu no Search Engine Land. Até esta semana, quando a personalização de texto reescrevia o seu título, o resultado vinha agregado e sem rastro. O anúncio rodava com uma frase que você não escreveu e não conseguia ler.
O que muda objetivamente
O relatório coloca lado a lado o título original que você enviou no feed e a versão que o Google AI gerou a partir dele. Para cada uma vêm impressões, cliques no produto, CTR, custo e CPC médio. São cinco métricas por linha, não um selo genérico de qualidade. A reescrita em si não é novidade: ela vem da personalização de texto nas campanhas de Shopping, que usa os dados do Merchant Center para aproximar o título da busca digitada. O que era cego era a leitura. O rollout está saindo conta a conta, então a visão pode ainda não ter aparecido na sua.
O que isso muda para quem roda e-commerce
Se o seu e-commerce fatura entre R$50 mil e R$500 mil por mês, o ganho prático é de diagnóstico. Você deixa de discutir se a inteligência artificial estraga o título e passa a ver, produto a produto, se a versão reescrita ganha ou perde CTR contra a sua.
A ressalva vem junto e é grande: ver não é controlar. O relatório não deixa você editar o texto gerado, só trocar o insumo ou desligar a personalização de texto. Desligar por causa de dois produtos ruins é reação, não decisão. Comparação com volume baixo também engana: linha com menos de 500 impressões em 30 dias não é evidência de nada.
Tem um segundo efeito, menos visível. Quando o título gerado vence o seu por margem larga em muitos produtos, o dado não está dizendo que a máquina escreve bem. Está dizendo que o seu título de feed é ruim, e título ruim contamina toda a operação de Merchant Center, não só o Shopping. Se as suas rejeições de feed já são recorrentes, o caminho está mapeado em setup de feed e diagnóstico de rejeições no Merchant Center.
Como adaptar agora
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Abra a campanha de Shopping no Google Ads, localize o relatório Product titles e filtre os últimos 30 dias. Ordene por impressões, pegue os 20 produtos do topo e anote o CTR das duas versões. Meia hora de trabalho. Gatilho de decisão: se o título gerado perde CTR em mais de 20 por cento em pelo menos 10 desses 20 produtos, o problema é insumo, e a fila é o feed.
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No Merchant Center, abra a lista de produtos e leia o atributo title desses mesmos produtos. Padrão que funciona no Shopping: marca, linha, modelo e o atributo que decide a compra (voltagem, tamanho, cor) em até 70 caracteres, sem texto promocional. Título que começa com Promoção ou Frete grátis é convite para a máquina reescrever. Se a estrutura de campos do canal ainda não está clara, comece pelo glossário do Google Merchant Center.
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Se você mesmo gera título com inteligência artificial no seu feed, declare. A especificação do Google exige o atributo structured_title com digital_source_type igual a trained_algorithmic_media. Suba o feed de novo. Confira no Diagnóstico se algum item mudou de status, porque item reprovado por declaração faltando some da vitrine sem aviso nenhum.
O que ignorar do hype
Ignore quem vai vender otimização de título para inteligência artificial como serviço novo. Não existe categoria nova aqui: é higiene de feed, o mesmo trabalho que já decidia impressão em Shopping antes de qualquer camada generativa. Ignore também a leitura de que o Google abriu o controle. Ele abriu o espelho. A escrita continua do outro lado, e a única variável que sobrou no seu lado é a qualidade do dado que você entrega.
O relatório não muda quem escreve o título do seu produto. Muda quem consegue provar que a escrita está errada.
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William Ribeiro
Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce
Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.
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