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Análise rápida

Bot e agente de IA contaminam o seu remarketing antes do seu relatório

William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

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09 de setembro de 2026-4 min de leitura

Em 8 de setembro de 2026 o Digiday publicou um levantamento com compradores de mídia americanos sobre tráfego não humano. Os números: a GoFish viu o tráfego de bot dos clientes de e-commerce subir 80% em um ano. A John Lewis viu a fatia de visitas vindas de IA sair de 0,3% para 2,5% no mesmo período. Quem estreitou o público de remarketing para se defender pagou 20% a mais de CPM. A Cloudflare já tinha medido que mais de 50% das requisições da internet são não humanas. Em junho de 2026, 52% das requisições de crawler eram para treino de IA, contra 22% pouco mais de um ano antes.

O que muda objetivamente

O número da Cloudflare é de requisição, não de sessão. Requisição inclui crawler que nunca executa JavaScript e nunca dispara o seu pixel. A parcela que chega na sua conta de mídia é menor e bem mais específica: agente que renderiza a página, aceita cookie e cumpre o evento de topo de funil. Esse é o que entra em lista de remarketing montada por tag, infla PageView e ViewContent, e não gera pedido nenhum no backend da loja. Bot não abandona carrinho. Bot nem chega no carrinho.

O efeito não é fraude de clique. É contaminação de base. O público que aparece com 180 mil pessoas tem 180 mil identificadores, e parte deles não compra porque não é gente.

Isso não vale igual para todo mundo, e a distinção decide o que você faz a seguir. Conta que otimiza para Purchase com CAPI alimentada pelo backend está quase imune, porque bot não cria pedido no banco da loja. Quem apanha é quem otimiza por evento de topo disparado no navegador e quem monta público de site em cima de "todos os visitantes". Se o seu volume de compra ainda não sustenta otimização por Purchase, o evento de topo continua sendo o único sinal disponível. A resposta certa é limpar esse sinal, não abandoná-lo.

O que isso muda para quem roda e-commerce

Três leituras do seu painel mudam de sentido. A taxa de conversão do site cai sem que a loja tenha piorado, porque o denominador cresceu com sessão não humana. O GA4 já exclui bot conhecido pela lista de spiders e bots da IAB, segundo o próprio Google. O que sobrou no relatório é o tráfego que ninguém catalogou ainda. O custo por resultado do remarketing sobe porque a frequência real sobre humano é maior que a frequência reportada. E o público semelhante herda o ruído quando a semente é ViewContent em vez de compra.

Como adaptar agora

1. Separe o bloco suspeito no GA4. Explorar, exploração em formato livre, linhas Navegador e Sistema operacional, métricas Sessões, Taxa de engajamento e Conversões. Gatilho: qualquer combinação acima de 2% das sessões com engajamento abaixo de 10% e zero conversão entra na conta como não humana. Se a soma passar de 5% das sessões, recalcule a taxa de conversão do site antes de culpar a landing page.

2. Compare a razão entre topo e fundo no Meta. Gerenciador de Eventos, aba Visão geral, últimos 30 dias contra os 30 anteriores. Meça PageView dividido por Purchase. Gatilho: se PageView subiu mais de 20% e Purchase ficou parado, o crescimento não é demanda.

3. Teste um público de site mais estreito. Em Públicos, duplique o público atual trocando "Todos os visitantes" por AddToCart ou InitiateCheckout de origem servidor, janela de 30 dias, e rode contra o público antigo. Gatilho de decisão: o Digiday mostrou que estreitar custou 20% de CPM na média americana, então só adote o público novo se o CPA cair mais do que esses 20%.

O que ignorar do hype

Ignore a recomendação de bloquear tudo no firewall. Ela sai caro. A mesma Cloudflare que mediu os 50% mostra categorias muito rastreadas perdendo até 40% do tráfego humano em menos de um ano. Bloquear crawler de IA tira a sua loja das respostas que já substituem parte da busca. Ignore também o número de 50% como se fosse o seu. Ele é agregado da internet inteira, com API e CDN no meio. A sua proporção sai do teste do item 1, não de manchete. Chad Keller, da Mellow Sleep, resumiu a postura certa na matéria do Digiday: o interesse não é bloquear tráfego automatizado, é classificá-lo.

Vamos acompanhar se as plataformas passam a expor essa classificação no relatório, ou se ela segue como trabalho de quem faz diagnóstico técnico por dentro da conta. A pergunta que vale para os seus próximos 30 dias não é quanto do seu tráfego é bot. É quanto do seu orçamento de remarketing está sendo entregue para identificador que nunca teve carrinho.

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William Ribeiro

William Ribeiro

Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce

Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.

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Tipo: Análise rápida.