Google gera as proporções de vídeo que faltam no PMax: o corte é dele, a marca é sua

William Ribeiro
Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce
O Google começou a notificar anunciantes de Performance Max em 17 de agosto de 2026: ele vai usar IA generativa para criar as proporções de vídeo que faltam na campanha. O insumo são os vídeos que você já subiu, segundo o Search Engine Land. Quem não quiser precisa avisar até 4 de setembro.
O que muda na mecânica
A mecânica está descrita na central de ajuda do Google Ads. Os melhoramentos de vídeo cobrem três proporções: 16:9, 1:1 e 9:16. Se você subiu só o horizontal, o sistema produz o quadrado e o vertical. São dois modelos. O Modelo 1 adapta o conteúdo que já está dentro do quadro. O Modelo 2 usa IA generativa para estender o vídeo além das bordas originais, preservando o que você enviou. As versões geradas entram em veiculação sozinhas depois de passar por uma revisão de qualidade. E o recurso já vem ativado por padrão, o que inverte o ônus: a inação é um sim.
Quando isso não é problema
Não desligue por reflexo. Se o seu criativo é vídeo de produto em fundo neutro, sem texto queimado nas bordas e sem embalagem cortada no quadro, a extensão generativa raramente estraga alguma coisa. Você ganha inventário vertical que hoje não tem. O risco aparece quando o vídeo carrega informação nas extremidades: preço, selo, logotipo, rótulo com composição, aviso legal. Nesse caso o Modelo 2 fabrica pixel exatamente onde antes havia informação, e o anúncio que roda não é mais o anúncio que você aprovou.
O que muda para quem roda e-commerce
Quem fatura R$ 50k a R$ 500k por mês raramente tem três versões de cada vídeo. O time produz um corte, sobe, e o PMax veicula onde couber. O que muda agora é quem decide o enquadramento. Antes o Google escolhia entre o que você deu; agora ele fabrica o que faltou. Isso pesa mais em quem vende produto físico com rótulo regulado, como cosmético, suplemento e alimento, e em quem vende joia, onde o corte errado tira justamente o elemento que sustenta a compra. É o mesmo tipo de troca que o PMax já faz com segmentação e canal: mais alcance em troca de menos controle.
Três ações para tomar agora
1. Decida antes de 4 de setembro. Abra a campanha de Performance Max, vá até a seção Otimização de recursos, abra o menu suspenso Vídeo e olhe a caixa Melhoria. Ela está marcada. Para bloquear tudo no nível da campanha, desmarque. Para fazer curadoria em vez de bloqueio, deixe marcada e siga para o passo 2.
2. Monte a auditoria semanal. Menu Campanhas, aba Recursos, filtre pelo grupo de recursos e assista aos vídeos que o sistema gerou. Todo corte que amputar rótulo, preço ou logotipo sai por Editar, opção Remover. Gatilho de decisão: se mais de 1 em cada 3 vídeos gerados precisar ser removido em duas semanas seguidas, desligue no nível da campanha e produza as proporções na mão.
3. Meça, não opine. O Google oferece relatório em nível de recurso, de grupo de recursos, de campanha e por canal do PMax, além de teste A/B. Rode o experimento com melhoramento ligado contra desligado e leia o ROAS da campanha, não a impressão que o vídeo vertical causa em você. Se em 21 dias a diferença de ROAS ficar dentro do ruído da conta, a decisão volta a ser de marca, não de performance.
O que ignorar do barulho
O Google não publicou número de ganho de desempenho, e ninguém de fora publicou também. Qualquer promessa de "mais alcance" que você ler nos próximos dias é extrapolação, não dado. Ignore também a leitura de que isso encerra o criativo humano. O sistema não inventa vídeo do zero: ele reenquadra e estica o que você entregou. O insumo continua sendo seu, do mesmo jeito que acontece quando o Google escreve a descrição do anúncio de Shopping. O que a plataforma automatiza é a execução, e o limite entre o que a automação decide e o que ela não decide continua sendo trabalho seu.
Automação de criativo não é escolha entre ligar e desligar. É escolha entre auditar e não olhar.
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William Ribeiro
Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce
Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.
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