Google libera vídeo multimodal no Demand Gen e promete 30%: o número saiu do experimento interno dele

William Ribeiro
Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce
O Google publicou em 27 de agosto de 2026 o décimo segundo drop do Demand Gen, agrupando três mudanças em um anúncio só (Search Engine Land). Uma delas mexe na sua semana. As outras duas não.
O que muda objetivamente
Multimodal Video Creation, dentro do Asset Studio, entrou em disponibilidade geral. O fluxo vai do storyboard até os arquivos finais em formato horizontal e vertical sem sair da ferramenta. Junto vieram dois itens em estágio anterior. O primeiro é um teste de anúncios de mensagem: o espectador abre conversa com a marca em aplicativo de mensagem direto do anúncio no YouTube, sem passar por página de destino. O segundo é uma expansão para anunciantes de viagem, com atividades locais, eventos, ofertas em tempo real e anúncio de hotel personalizado por audiência. O teste de mensagem não tem data de liberação geral. O Demand Gen entrega em YouTube incluindo Shorts, Discover, Gmail, Maps e Rede de Display, com alcance declarado de até 3 bilhões de usuários ativos mensais na documentação oficial do Google Ads.
O número de 30% não é benchmark
O Google afirma que centenas de melhorias entregues no segundo semestre de 2025 produzem aumento médio de 30% em conversões ou valor de conversão. A nota de rodapé desse número é "Google Internal Data, Global, H2 2025, DemandGen Experiment Results": teste contra controle dentro do sistema de medição do próprio Google, sem auditoria externa. A PPC Land desmontou a métrica em dois pontos. Primeiro, "conversões ou valor de conversão" soma escalas incompatíveis: quem otimiza volume e quem otimiza receita entram na mesma média. Segundo, nove meses antes a alegação equivalente era 20% com mais de 100 lançamentos, e agora é 30% com "centenas", sem abrir qual melhoria contribuiu com o quê. Isso é sinal de para onde o Google quer empurrar verba. Não é número que você coloca em projeção.
O que muda para quem roda e-commerce
O custo marginal de produzir a quarta variação de um vídeo caiu perto de zero. O gargalo sai da produção e vai para o julgamento: qual variação entra, qual sai, e com qual número você decide isso. Operação de R$ 50 mil a R$ 500 mil por mês costuma travar em criativo por falta de braço, não por falta de ideia. Essa trava o Asset Studio resolve. A outra, saber se a variação nova é melhor ou só diferente, continua inteira no seu colo. Vale a mesma lógica que já se aplica a análise de criativo com IA: a ferramenta produz, você julga.
Três ações para esta semana
Primeira. Antes de gerar qualquer coisa, abra o relatório de recursos do seu Demand Gen no Google Ads e anote CPA e taxa de conversão por recurso nos últimos 30 dias. Sem linha de base escrita, qualquer variação vira anedota.
Segunda. No Asset Studio, gere 3 variações verticais de um vídeo que já roda acima do seu piso de margem. Suba como recursos novos no grupo existente, nunca em campanha nova. Recurso que não passa de 1.000 impressões em 14 dias não foi testado, foi ignorado pela distribuição, e não autoriza conclusão nenhuma.
Terceira. Defina o gatilho de corte antes de ligar. Se o CPA agregado do grupo subir mais de 15% em 14 dias com os recursos gerados ativos, pausa os gerados e mantém os originais. Escrever o gatilho antes evita a discussão de sempre sobre o que o dashboard está dizendo, que já detalhamos em relatório de tráfego pago.
O que ignorar
Anúncio de mensagem é teste, sem data e sem confirmação de Brasil. Não reorganize funil por causa dele. A parte de viagem só interessa a quem vende viagem ou hotelaria. E "a IA cria o seu vídeo" descreve storyboard e adaptação de formato, não oferta, roteiro ou prova. O Google resolve o enquadramento. A mensagem continua sendo problema seu, como em o que a IA realmente automatiza em mídia paga.
O custo de produzir vídeo caiu. O custo de publicar vídeo ruim em cinco formatos caiu junto.
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William Ribeiro
Fundador da Moyker | Assessoria de Performance para E-commerce
Background em BI aplicado ao e-commerce (Petrobras, Tramontina, W3Haus). Fundou a Moyker em 2023 para levar rigor analítico enterprise para e-commerces B2C brasileiros faturando R$ 50k a R$ 500k por mês.
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